João Amazonas: “PRESENTE!”

João Amazonas 1912-2002

João Amazonas 1912-2002

Ontem fez sete anos do falecimento de João Amazonas. O Vermelho publicou um texto de Canindé França João Amazonas: na flor da idadeque vale a pena ler para aquecer os motores dessa justa homenagem.
Amazonas sempre foi contra fazer sua biografia, achava acertadamente que isso poderia esbarrar em certo culto à personalidade que fez tanto mal ao
Movimento Comunista Internacional. Mas sua trajetória de vida se confunde sobremaneira com a vida do PC do Brasil. Era mesmo preciso sistematizar em livro essa vida tão singular. O historiador Augusto Buonicore enfrentou o desafio e o Vermelho disponibilizou em PDF João Amazonas, um comunista brasileiro.
Nos dias que seguiram sua morte foi feito o esforço de lembrar a vida política do João. Para visualizar esse material basta clicar aqui.

Walter Sorrentino, em palestra sobre o pensamento político de João Amazonas, fez a seguinte intervenção: Crise do Marxismo e o Pensamento de João Amazonas.

Miguel Urbano Rodrigues escreveu logo após o falecimento de Amazonas um depoimento no sítio Resistir:  João Amazonas, um revolucionário irrepetível.

E finalmente, um vídeo que mostra um pouco dessa personalidade tão comunista e tão brasileira; Camarada João.

Published in: on 28/05/2009 at 17:00  Deixe um comentário  

Fundado o PC do Brasil: “Bem unidos façamos…”

Os fundadores do PC do Brasil

Os fundadores do PC do Brasil

O processo que resultou na fundação do Partido Comunista do Brasil levou anos. Envolveu dezenas militantes que não viam mais resultado nos métodos dos anarquistas para a saída dos problemas práticos da classe operária brasileira. Estavam entusiasmados com o que acontecia na Rússia. E aquela história de soviets, operários e camponeses no poder, fim da burguesia, pão, paz e terra poderiam garantir um futuro diferente para o Brasil.

 Militantes oriundos, em sua maioria, do sindicalismo se reuniram e se corresponderam para fundar um Partido Comunista em 1919. Mesmo ano da fundação da Internacional Comunista (IC) (também conhecida como III Internacional ou Comintern). A IC era um partido comunista global que tinha por objetivo construir a revolução mundial e apenas os PCs podiam se afiliar a ela. Ser PC era uma das 21 condições para ser membro da IC.

Nesse PC do Brasil de 1919, diz Astrojildo Pereira, é preciso colocar aspas. Já que “seu conteúdo não correspondia ao rótulo.” Pois tinha ainda pesada carga da tradição anarquista brasileira. Ao ponto em que não se construiu estatutos e sim “bases de acordo” onde a autonomia de cada militante estava sobreposta à coletividade. Propunham “promover a propaganda do comunismo libertário, assim como a organização de núcleos comunistas em todo país.”

A conferência desse partido reuniu no Rio de Janeiro, em fins de junho, 22 delegados de poucos estados. A reunião foi alvo da polícia de Delfim Moreira e os trabalhos tiveram de ser mudados para Niterói. A principal pauta ficou em torno de uma espécie de programa que foi redigido pelo Professor José Oiticica, importante liderança anarquista da época. Antes e após essa conferência a agremiação promoveu alguns atos públicos em sedes de sindicatos no Rio de Janeiro: 18 de março, comemoração da Comuna de Paris; 13 de maio, dia da Abolição da escravidão; 14 de julho, tomada da Bastilha, entre outras.

Não vingou esse partido. Logo foi disperso pelas perseguições policiais e pela própria lógica em que foi montada a agremiação.

Mas a idéia não havia morrido. Parte desses membros do PC de 1919, continuaram a se corresponder e formaram uma espécie de rede entre grupos de estudo e ação em vários estados. Segundo Astrojildo, em fevereiro de 1922 o Grupo Comunista de Porto Alegre propôs a outros grupos comunistas a reunião que fundaria o PC do Brasil.

Abílio de Nequete, um barbeiro sírio foi um dos organizadores do congresso de fundação. Foi delegado de Porto Alegre (RS) e representava além daquele grupo comunista, o PC uruguaio e o Birô da IC para a América do Sul. Nequete com a intenção de ir munido para a discussão da fundação do PC do Brasil mandou uma carta, dias antes de partir para o Rio de Janeiro, ao seu camarada Romo pedindo estatutos dos centros comunistas, sindicatos e cooperativas, para que servissem de exemplo. Carta essa, que expressa expectativa para a realização do “primeiro congresso comunista do Brasil”.

Astrojildo Pereira, jornalista, foi outro importante organizador daquele congresso e nos mostra que a preparação não foi uma tranqüilidade pura de boas vontades políticas. Em seu texto “Não nos assustemos com o debate”, na revista Movimento Comunista de março de 1922, ele provoca aqueles que parecem se indignarem com a existência de opiniões diversas:

“A fundação de nossos grupos comunistas, primeiro passo para a próxima e definitiva constituição do Partido Comunista brasileiro (sic), tem suscitado, como não poderia deixar de ser, uma viva e renhida celeuma em nossos meios obreiros. Isto está na ordem natural das coisas, e é um bem que assim seja. Esse embate de idéias, esse confronto de ideologias, essa diversidade de pontos de vista, antes de mais nada demonstram vitalidade e bravura. Alguns camaradas timoratos ou pouco perspicazes, assustam-se e desgostam-se com a refrega aberta entre companheiros de ontem. Não há de que. Ao contrário, amigos, regozijemo-nos com isso!”

A formação de um partido comunista não poderia estar baseada na concordância plena de seus membros. Teria de colocar a teste as idéias em forma de debate, divergências e discussões sem que com isso se desmontasse a organização. Antes mesmo do congresso de fundação estava o PC do Brasil colocado à prova.

Foi no 25 de março de 1922, no Rio de Janeiro, que foram abertos os trabalhos do congresso. Durou três dias, até o 27, sendo que no último dia tiveram que se mudar para Niterói. Lá estavam nove delegados provenientes de alguns estados e que representavam 73 militantes. Astrojildo na sua “Noticia do I Congresso” aponta a coincidência curiosa que na fundação dos partidos comunistas da Rússia (1898) e da China (1921) – isto é, os dois maiores partidos comunistas que a humanidade já viu –, havia também nove delegados. Não se sabendo quantos militantes representavam os russos, mas os nove delegados fundadores do partido chinês representavam 50 militantes.

Os nove fundadores que aparecem na foto oficial, todos com a expressão de que estão prontos para o novo e gigantesco desafio, são: Abílio de Nequete e Astrojildo Pereira, já apresentados; Cristiano Cordeiro, funcionário; Hermogêneo Silva, eletricista; João da Costa Pimenta, gráfico; Joaquim Barbosa, alfaiate; José Elias da Silva, funcionário; Luis Peres, operário vassoureiro; e Manuel Cendon, alfaiate espanhol. Todos brasileiros com exceção de Cendon e Nequete.

A ordem do dia foi: 1) Exame das 21 condições de ingresso na IC, que foram examinadas longamente uma a uma e finalmente aprovadas por unanimidade; 2) Estatutos do Partido Comunista, que foi inspirado pelos estatutos do Partido Comunista da Argentina; 3) Eleição da Comissão Central Executiva que teve como critérios a capacidade política e disponibilidade; 4) Ação pró-flagelados do Volga, campanha comunista internacional para ajuda aos atingidos pela seca do ano anterior; 5) outros assuntos como Moções de saudação à IC, à revolução russa, à memória dos heróis da revolução, aos perseguidos pela reação capitalista, ao Birô da IC para a América do Sul, aos Partidos Comunistas da Argentina, Uruguai e Chile e aos trabalhadores do Brasil. Ao fim deram vivas à IC e cantaram em pé o hino A Internacional.

O primeiro passo de uma longa caminhada estava dado. A luta por liberdade, democracia, direito para os trabalhadores e o socialismo, ganhou nesse momento uma organização, um corpo coletivo pensante, uma nova forma de lutar.

 Referências

 Astrojildo Pereira “Ensaios históricos e políticos” pp. 69 a 73.

José Carlos Ruy “Partido Comunista do Brasil – 80 anos: as primeiras décadas” – Revista Princípios nº 64, pp 22 a 32.

Revista Movimento Comunista nº 3 (março) e nº 7 (junho) de 1922.

 

“Lendo e Relendo…”

Astrojildo Pereira tem um artigo extenso sobre as ebulições operárias desde o início do século 20; se encontra na revista Problemas nº 39 de março e abril de 1952. Em março e abril de 1947 (em comemoração aos 25 anos do PC do Brasil e semanas antes da criminosa cassação dos parlamentares comunistas), o jornal A Classe Operária lançou um conjunto de artigos autorais que se debruçam na análise da história partidária. Todos os anos são feitas comemorações pela fundação do PC do Brasil, ainda hoje 87 anos depois. Astrojildo, ainda, tem “A Formação do PCB”, que é de extrema importância para o tema.

 Há outras, muitas outras obras que analisam a fundação do PCB que estaremos comentando durante as postagens.

Published in: on 28/05/2009 at 16:11  Deixe um comentário  

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Ao Blog O Tempo Avermelhou! Aqui trataremos da história da esquerda brasileira com uma especialidade na trajetória dos comunistas. Não se trata de textos jornalísticos ou acadêmicos. Não é também um órgão político. São comentários sobre a trajetória dos comunistas e momentos importantes na vida política e cultural brasileira e mundial. Faremos na sessão “Lendo e Relendo…” indicações de livros, filmes, músicas, vídeos, poesias, romances, novelas, sítios na internet. Aceitamos de bom grado as sugestões e críticas.

Published in: on 28/05/2009 at 15:49  Deixe um comentário